Translate

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

DIALEKTIKÉ

Fórum de Debate Livre

É um espaço diversificado e alternativo onde possam se reunir a massa silenciada: trabalhadores rurais, proprietários de terras, trabalhadores sem terra, pescadores, professores, plantadores de arroz, plantadores de verduras, criadores de gado, de porcos, carroceiros, motoboys, catadores de material reciclável, líderes comunitários, lideranças jovens com engajamento político, estudantes de diferentes níveis escolar, entre outros.
Neste espaço não pode nunca haver imposições de conhecimento, pois o caminhar da comunidade não tem o mesmo ritmo do caminhar acadêmico, logo, serão discutidos problemas particulares e comuns dos diferentes seguimentos sociais do município, tais como: as dificuldades enfrentadas, as formas de enfrentamento, as propostas de melhoramento das categorias, a criação de uma agenda unificada (a ser apresentada aos futuros políticos da cidade para que os mesmos assinem um termo de compromisso com as reivindicações e propostas apresentadas) que atenda a interesses específicos e gerais, e, principalmente a junção de esforços para unificar essa massa silenciada em um bloco uniforme que adquira mobilidade e articulação para desenvolver atividades de apoio e fortalecimento a associações comunitárias, cooperativas, sindicatos de trabalhadores rurais e urbanos, ou qualquer outra forma de organização e cooperação mútua.
Dessa maneira, se fortalecem as entidades representativas do município, e, paulatinamente, se lograr êxito o Fórum, conseqüentemente, poderá estende seu espaço a outros sindicatos, associações e organizações da região [povoados e/ou cidades vizinhas] e agir prontamente na solução de ingerências da classe dominante, seja ela interna ou externa, que têm historicamente contribuído para enraizar e perpetuar nos municípios a falta de oportunidade e a desigualdade social.
No Fórum se discutirá também maneiras de se desenvolver e aprimorar a habilidade das pessoas para que, organizadas em suas instituições representativas, seja associação, cooperativa, ou sindicato possam interferir junto ao poder público, apresentando propostas ao orçamento municipal, participando politicamente dos Conselhos de Políticas Públicas, como instrumentos de efetivação dos direitos; promover a participação das mulheres e dos grupos minoritários semelhantes, a saber, GLBTS, na sociedade e promover os direitos específicos das crianças a freqüentar a escola, a brincar/jogar, a sonhar com dias melhores. Portanto, a comunidade é o sujeito do processo e torna-se importante trabalhar a dimensão de organização coletiva, o que possibilitará as pessoas a atuar no questionamento e na produção de políticas públicas, e na fiscalização de sua execução.

Missão

A missão do Fórum de Debate Livre é inicialmente convidar os representantes dessas categorias supracitadas para discutir situações e problemas que afligem as pessoas do município como um todo, mesclando conhecimento técnico-acadêmico e popular, com base no princípio de que não há um conhecimento pronto e acabado, nesse sentido, esse conhecimento produzido deve contribuir para o desenvolvimento integral do município de Cedro de São João, ou qualquer outro, afinal, trata-se de realidades semelhantes com algumas particularidades que os distinguem.
A posteriori deve-se promover o desenvolvimento de uma educação política para os jovens e as lideranças dos diferentes setores sociais, dando capacidade e autonomia para os mesmos intervir no processo sócio-político do município. E a partir daí, despertar o surgimento de novas lideranças, seja no campo escolar (grêmios estudantis), seja no campo político (renovação de candidatos a mandatos eletivos de vereadores e prefeitos) fomentando o surgimento de novas opções ao eleitorado, além, de paralelo a tudo isso, deve-se pensar num modelo de gestão municipal sensível as necessidades humanas e ecologicamente sustentáveis, através de capacitação, assessoria educativa, incentivo e apoio a projetos referenciais, buscando o fortalecimento da cidadania, a melhoria da qualidade de vida e a erradicação da exclusão social, tudo pensado e construído com a participação dessas categorias locais. Enfim, a missão central do Fórum de Debate Livre é ter como princípio norteador a tarefa de despertar as pessoas para os seus direitos, incentivá-las a se organizar para que, deste modo, possam exercer sua cidadania.


Metodologia

A metodologia é a Freiriana, que considera todas as pessoas como sujeitos de/da ação. Desse modo, não se trata de focalizar pessoas a serem beneficiadas, mas de construir com as pessoas o processo de trabalho e seu próprio desenvolvimento. Por isso, o trabalho do Fórum deve sempre respeitar e refletir criticamente, com as pessoas, valores, costumes, tradições, princípios, a moral e culturas, ao passo que busca promover o indivíduo como um ser capaz de conhecer e produzir conhecimento, acreditando na capacidade das pessoas mudarem a si mesmas e a realidade cotidiana. Logo, a metodologia deve ser aquela que proporcionar aos participantes o encontro deles consigo próprio, ao passo, em que eles produzam conhecimento sobre sua própria realidade, como instrumento de transformá-la, sem permitir e/ou tolerar manipulação. A idéia inicial dessa metodologia é provocar inquietações e estimular a busca por alternativa para os problemas encontrados.
O produto certamente será uma revolução social sem precedentes, pois ainda que algo fuja do intento principal, afinal, um processo depois de iniciado sofre influência de agentes múltiplos, certamente o resultado será positivo. Pois, parafraseando o sábio - Heráclito de Éfeso o pensador do movimento, ou melhor do “tudo flui” - “o homem não se banha duas vezes no mesmo rio, pois o rio já não será o mesmo, tão pouco o homem”, logo, não devemos nos perguntar, quem irá se beneficiar de tudo isso? Mas, quais as conseqüências, ou mesmo a amplitude da criação de um espaço livre, independente e democrático – se não em essência, que seja em intenção.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

ESTAÇOES


Conheci Diana numa Primavera.
Dentre tantas cores era a flor perfeita,
aroma de rosas e a maciez das pétalas.
Naquela manhã feliz, chovera.

No Verão passado secou a flor,
tão frágil! não resistira ao calor,
De tanto desamor.
As lembranças minhas, clamor!

Cair aos prantos,
como caem as folhas do Outono.
e, sobre jardins e flores, escrevi  contos.

O Inverno chegou
ressurgi dos prantos.
Diana me amou.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

QUAL O TAMANHO DA SUA FÉ?

Há quanto tempo vem a Igreja – entenda-a, a princípio, como uma instituição -, ensinando verdades, presente ou não na Bíblia, e pregando a cerca de um Cristo que é o próprio Deus, além de demasiadamente humano e pobre, eixo central de uma religião popular onde se fundira, harmoniosamente, o natural e o sobrenatural, o medo da morte e o impulso em direção à vida, a tolerância às injustiças e a revolta contra a opressão e por fim Deus e o Diabo [por que não grafá-lo em letras maiúscula também?]. Peço paciência ao leitor e que guarde, ao menos até terminar de ler estas poucas palavras, toda sua raiva e repulsa contra esse escrevinhador.
Convido-os a embarcar nesse universo imaginativo e especulativo, assim como o fez no passado, Virgínia Woolf, quando retratou a irmã de Shakespeare, em seu livro um quarto só para si. Mas, vejamos, se Cristo, usando o modelo da escritora citada, tivesse sido um rabino, por conseguinte, pertencente a uma elite pensante, sem deixar de ser carpinteiro, pescador, camponês, lavrador, etc – pois, era comum esses homens terem uma dessas profissões, ou mais de uma – ou quem sabe, fosse um cobrador de impostos, ou ainda, um membro da aristocracia, pergunto: qual seria os efeitos dessa condição para a importância de suas idéias e ensinamentos? Ou ainda, se comportaria Cristo de maneira diferente? E, por isso, seria desmerecedor de ser seguido e seus conceitos ensinados? Se a resposta a todas estas questões for de efeito negativo, me parecerá assemelhado a uma falsa modéstia tais respostas, quando pretende se elevar a proporção que se humilha, ao fazer uso de uma imagem de humildade, ou pobreza para gozar de uma outra imagem de prestígio, como revela Ludwig Feuerbach em sua obra a essência do Cristianismo.
Insisto, e se Cristo fosse um comerciante? Como se traduzir a idéia e simbologia da pobreza, na lógica cristã, para as classes populares? Aqui, caros leitores, se estabelece uma encruzilhada entre as idéias ensinadas por Cristo e as idéias imposta aos fieis como sendo de Cristo. Peço que não se zanguem com este escrevinhador e escutem as explicações. Há nessa diferenciação anterior, um pequeno problema, afinal, a Bíblia foi escrita por homens sob inspiração divina, e digamos que essa seja uma verdade inexorável, pergunto: temos acesso aos originais escritos por estes homens-santos, ou santos-homens? E, se os tivéssemos diante de nós entenderíamos os escritos bíblicos, ou aceitaríamos de bom alvitre caso possuíssem verdades, muy distinto, divergente? Vale lembrar, que o conceito de Deus para os cristãos remete a um Deus pessoal, contrariamente a outros sistemas de pensamento, cito como exemplo, o conceito estabelecido pelos estóicos, pois para estes a idéia de Deus seria concebida como a ordem do mundo, onde o menor, ou mais ínfimo ser vivo é tão importante quanto qualquer outro para a ordem bela e justa, ou seja, Deus.
Retomando o raciocínio, diante da impossibilidade [do acesso aos textos originais] temos que nos servir, sobretudo, das traduções que nos chegaram. Aqui, novamente, nos deparamos com outra dupla indagação: primeiro estes textos não são os originais, portanto, não podemos tirar nossas próprias conclusões diretamente da fonte primária, segundo, as traduções é resultado das interpretações de homens pertencente a uma dada religião dominante – se não no mundo, em boa parte dele. Salvo, se for possível entender essas interpretações como sendo de homens santos, e, logicamente, no mesmo calibre dos que escreveram os livros que constituem a Bíblia.
As indagações ora levantadas não possuem o intento de diminuir, nem tão pouco extirpar a fé alheia, apenas convida alguns a passear pelos jardins floridos do Inferno e descobrir que o Diabo é figura central, quiçá essencial, para a legitimidade e manutenção do poder de Deus entre os homens, inclusive, trato-o como figura, porque se este é tido como espírito para as religiões, logo, não tem, ou não deveria ter aspecto corpóreo, daí compartilhar com as idéias de Carlos Roberto F. Nogueira em seu livro O Diabo no imaginário Cristão, onde afirma que os homens, ao serem submergidos na cultura e mentalidade próprias de cada época, acaba por pintar esta figura com as cores que lhes convém, vejam-no, então, ao menos nesse texto, como uma representação construída por meio de discursos, afetividade, ou iconografia, que não passa de mero produto da História.
Inclusive, espero seguramente, não seguir [por conta de tais questões] o mesmo destino de Domenico Scandella, o moleiro Menocchio, e de tantos outros homens e mulheres importantes para a maturidade da humanidade e que tiveram sua energia, potencial, sapiência e vidas, queimadas nas fogueiras armadas por homens-santos, ou santo-homens que “legitimamente” eram os herdeiros de Cristo, este, inclusive, paradoxalmente, enquanto viveu não retirou nenhuma vida – ao menos não há registros – ao contrário, deu vida a quem a havia perdido, exemplo maior, Lázaro.
Convido Michel Foucault a imiscuir suas idéias nesse capricho imaginativo, ou, talvez, para ser mais justo, aquilo que conseguir sorver do pensamento deste. Foucault ao tratar dos procedimentos de exclusão, menciona entre esses a interdição, a partir do qual entendi que não possuímos o direito de dizer tudo – se é que, de fato, sabemos algo -, assim, como não se pode falar tudo em qualquer circunstância e, que os indivíduos, a maioria das vezes os populares, não podem falar de qualquer coisa, que o diga o moleiro, que deveria saber que as coisas da fé são grandiosas e complexas por demais para que um pobre moleiro possa compreendê-las, resultado por ignorar tal aviso, teve seu corpo – será que a alma também? - queimado na fogueira. Seguindo este raciocínio, se eu bem soubesse não escreveria, tão pouco publicaria estas palavras, pois nesse instante, não reúno condições de avaliar as circunstâncias, os efeitos e utilidade prática dessas palavras. Pois bem, espero com isso, que me enquadrem na condição de louco. Aqui, já estou a tratar de outro procedimento apontado por Foucault, o da separação, exclusão, qual seja, a oposição entre razão e loucura e o cruzamento de duas linguagens de exclusão, a judiciária e a psiquiátrica, que alternadamente, inclinam-se entre si para negar uma à outra. Imaginemos os efeitos de um laudo psiquiátrico na condenação de alguém.
O discurso do louco, assim como este que o leitor a contragosto está a ler, não poderia, ou não pode circular e, ainda que o faça, deveria ser na condição de nulo, ou se melhor o agrada, não condição de não-verdadeiro. Sendo mais objetivo, o discurso do louco não é socialmente aceito, ou no mínimo, não é merecedor de testemunhar em juízo, assim como lhe é proibido celebrar no sacrifício cotidiano da missa, a transubstanciação [palavra adotada pela Igreja Católica, com origem na filosofia escolástica, que explica a presença real de Jesus Cristo no sacramento da Eucaristia], que converte o pão em corpo. Todavia, esse louco para Foucault, assim como minhas palavras nesse momento, goza de um estranho poder, qual seja, o de pronunciar verdades poderosas, ou coisas que as instituições possuidoras do discurso verdadeiro e sapiência acadêmica coberta de títulos e hierarquizada não podem perceber.
Informo ao leitor que este texto aproxima-se do seu fim, menos pelo fato de não ter mais o que dizer, do que pelo receio de como será recebido. Afinal, como afirma Nilton Bonder em uma belíssima obra, a mim serviu de inspiração, intitulada A alma imoral; essas reflexões trazidas por mim e, que ora se apresentam como fraturas expostas, que a primeira vista pode causar náuseas, em neófitos nessas indagações, é fruto da minha alma imoral e transgressora, que se debate com meu corpo [em uma tensão necessária ao equilíbrio de ambos] tido como instrumento do pecado e que clama pela piedade de Cristo. E, é esse mesmo corpo senhores, assim como muitos dos de vocês, que não passam de meros mantenedores do status quo, ou melhor, da moral vigente. Moral esta que da mesma forma que em tempos bíblicos precisou, e precisa sempre, ser quebrada para gerar uma nova moral, nesse ponto cabe, citar as religiões, que como arautos se anunciam herdeiras de Cristo e guardiãs das almas, quando na verdade, não passam de guardiãs de corpos e, conseqüentemente, de morais.
Assumo a ousadia – não meu corpo, mas minha alma - de me colocar no lugar de Adão, comedor de maça, imoral, descumpridor da Lei e pecador primevo. Aqui, cabe uma melhor explanação dessa passagem, pois quem transgrediu não foi o corpo de Adão, pois este guardou a máxima “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra” (GN: 1,28), quem traiu, ou transgrediu, foi a alma, pois esta não respeitou a ordem Divina, a cerca do fruto da árvore que está no meio do jardim “Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais” (GN: 3,3) o que estar no cerne da questão não é a morte ou o pecado, mas a própria vida e seu eterno caminhar, a consciência, “Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueiras, e fizeram para si aventais” (GN: 3,7), afinal, só existe nudez para aquele que se percebe nu, ou será que estou enganado?
O segundo exemplo é o de Abraão, que recusa no seu íntimo, ou seja, sua alma rejeita a idéia, mas o seu corpo conduz seu primogênito ao altar para sacrifício, o não sacrifício defendido pela alma é uma traição a cultura da época e ao mandamento divino, que ordena a Abraão que este sacrifique o seu primogênito. Abraão representa o transgressor social, sua traição foi para com a sociedade, se Adão traiu a Deus, Abrão trai a sociedade, e relegou ao seu filho uma terra nova, a Canaã, essa terra prometida precisa ser melhor debatida, afinal, trata-se de espaço territorial? Ou de uma sociedade nova, com código moral renovado? Acredito, pois isso me consola,se tratar de uma nova moral, “o não sacrifício”, no sentido estritamente figurado, representa o pai que concede ao filho a possibilidade de ser diferente e não o obriga a seguir a tradição, onde filho de médico tem obrigatoriamente que ser médico, a beleza de Abraão, ou da transgressão de sua alma, é que ela concede outras possibilidades, que será vista como imoral em relação à moral suplantada.
Por último, temos o exemplo de outro imoral bíblico, Jaco, a transgressão deste é para com a família, pois ele rouba a primogenitura do irmão valendo-se da cegueira do pai. Poderia citar outros exemplos de transgressão, ou imoralidade descrita na Bíblia, até chegar ao símbolo maior dos cristãos e do Cristianismo, o próprio Jesus Cristo. Mas, seria arriscar-me por demais - se ainda estivesse a falar para judeus - deixo, apenas, uma sugestão aos leitores, busquem ler a genealogia do filho de Deus, porém não se atenham, apenas, a sucessão de pais e filhos, mas a relação entre esses. Ao fazerem isso, espero que não se assustem ao perceber essa geração como imoral, pois o Cristo é fruto de ascendências que mantiveram relações imorais, como o incesto, calma leitor, não é minha pretensão assustar-lhe, entenda essas relações fora do universo divino, ou da fé, pois isso o impossibilitará de raciocinar dentro da linha que tenho arduamente tentado traçar, a dos discursos, e, ainda por cima, colocaria este texto na condição de blasfêmia.
Quando as cidades de Sodoma e Gomorra foram destruídas por ordem divina, a família de Ló fora salva e pensaram as filhas de Ló, que só havia no mundo eles, então, essas embriagaram o pai e geraram filhos com este, a primeira vista é um atitude imoral, mas para a alma a lei máxima é a vida. Jamais seria permitido pela moral da época - e coincidente, ou acidentalmente pela nossa também - tal atitude. Acredito que já forneci subsídio suficiente para instigar-lhes a leitura da genealogia bíblica até a geração última do Messias.
Retomando Foucault, quando fala sobre a ritualização dos discursos como um jogo, onde a disputa recai sobre os signos, pergunto-lhe: onde se encontra você leitor nesse jogo? Onde se encontra, ou melhor, de que lado se posicionam os gays, as lésbicas, os sem-terra, os marginalizados de toda ordem? De que lado do jogo Cristo estaria? E por que os herdeiros de Cristo, essa é minha visão, estão no lado contrário ao que, certamente, Cristo estaria?
Para não tornar essa discussão cansativa e mais complexa, de modo que, assim como um aprendiz de feiticeiro, me ponha a liberar forças, as quais eu não possa controlar, tentarei ser o mais objetivo e direto possível. Enfim, certo é que vivemos há muito em “sociedades de discursos”, e nesse modelo de sociedade os discursos tem papel central, afinal, essa mesma sociedade é responsável por produzir, conservar e fazer circular discursos, distribuindo-os e fixando papeis aos sujeitos que falam, conforme regras estritas sem que os detentores dos discursos percam a posse dos mesmos em conseqüência da distribuição, perceberam o trocadilho, ou suas mentes já estão aos nós com toda essa falação?
Uma das virtudes do pensamento foucaultiano é que ele nos instiga a buscar, não apenas o começo dos discursos [sejam religiosos, jurídicos, médicos, terapêuticos, políticos, et cetera] e dos modelos arraigados socialmente, mas, fazer as seguintes indagações: porque esses discursos surgiram? E para atender a que interesses? A quem se destinam?
Pergunto aos sobreviventes, que pacientemente acompanharam esse texto até esse momento: qual o papel do sistema de educação na elaboração, manutenção e destinação dos discursos? Não deixem de incluir o discurso religioso, claro, pois este tem papel fundamental na construção da fé dos fiéis, ou vocês pensavam que a fé surge do nada? Talvez, eu esteja enganado, alguém pode acordar e se dar conta que tem fé. Distrações a parte, voltemos ao sistema de educação, seria estes uma maneira política de manter, ou mesmo, modificar a apropriação dos discursos ditos oficiais, ou verdadeiros e, lógico, acompanhado dos poderes e saberes que estes trazem conseqüentemente consigo?
Uma coisa eu tenho como verdade [com essa frase acabo de me posicionar no jogo, se é que não o fiz desde o princípio], todo sistema de ensino, toda doutrinação é uma ritualização da palavra, bem como a fixação de papeis ao sujeito que fala. Caro leitor, não sou teólogo, não me pretendo filósofo, pois segundo Luc Ferry teria que possui outros atributos, talvez seja poeta, isto é, um loco, ou ainda quem sabe, seja um moleiro assim como Menocchio, contudo não me tirei por tolo, sei perfeitamente que o século XVI não é o século XXI e este escrevinhador não é contemporâneo de Domenico de Scandella. No entanto, sei ler, escrever e vez ou outra me atrevo a pensar, isso tudo, em um mundo onde poucos sabem. Meu convite caro leitor foi para que você tente olhar o mundo e as verdades com outros olhos, retirem agora o véu que turva sua visão! Saiam das cavernas de Platão! Queira entender o mundo não a partir da putrefação e dos vermes, mas a partir da deusa Moria, a loucura, pois somente assim podereis dizer livremente [assim como faço nesse instante] suas verdades, gozando da prerrogativa de não ser verdadeiro o que dizes, nem profícuo suas palavras.
Certamente, não será o primeiro, nem o último. Assim, como Mendel ao pronunciar suas descobertas, fora ignorado pelos seus pares, apenas, por seu discurso não figurar nos moldes do “verdadeiro”, afinal, Mendel não seguiu as regras e conceitos dos discursos biológicos da época, enquanto outros tantos erros foram aceitos como verdades [qualquer semelhança com os discursos da ciência e da religião nos dias atuais é mera ironia do destino] por seguir as mesmas regras e conceitos ignorados por Mendel. Trago outro exemplo, não mais extraído da Bíblia, a saber, trata-se de um sergipano ignorado e esquecido, Manuel Bomfim, outros tratam por Manoel Bonfim, quando em sua época, o pensamento europeu colonizador, dominante na América, impedia os americanos de pensar o problema da América Latina, este pensador apaixonado por sua terra consegue revelar um olhar capaz de traduzir a realidade dos povos desse continente, apresentado seus males de origem, contudo sua voz era solitária, talvez, tratasse de mais um louco. Bomfim foi duramente rechaçado pela elite dominante no país, entre os críticos figurava outro sergipano ilustre Silvio Romero, que publicou inúmeras cartas nos jornais condenando as idéias de Bomfim, as críticas representavam naquele momento a incapacidade de pensar fora das regras e conceitos do “discurso verdadeiro”.
Nesse instante, ao passo em que agradeço pela companhia dos leitores, lanço minha última reflexão, caso Jesus Cristo vivesse entre nós, não imaginem o Homem que é Filho e Pai ao mesmo tempo, seria um homem seguidor da moral, ou um imoral transgressor? Seríamos capazes de repetir - a pergunta é direcionada para cada um de nós, assim como para os representantes de religiões, poder institucionalizado - o que fizeram os judeus [essa é a verdade socialmente aceita] a Cristo, crucificando-O. A resposta, positiva ou negativa, a essas questões depende, única e exclusivamente, do tamanho da sua fé.

José Ailton Santos

PECADO

Por que devo sentir inveja dos que acreditam,
só existir é necessário para ser pecador,

Eu não,
quero ter direito,
direito de pecar,
comer sem ter medo de faltar,
Quero roubar o fruto das mulheres para alimentar meus músculos,
 saboreá-lo e sentir prazer,

Quero a fúria irascível e a preguiça mental,
não quero ter crise de consciência,
mas, a soberba de quem é superior,

A mim não basta ser pecador,
quero mesmo é pecar.

Sentir o pecado como a chama da cratera do vulcão,
quero o excesso, o poder, o sexo.

E a certeza de que ninguém baterá em minha porta
empunhando uma foice e
sem aguardar consentimento,
estar comigo.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Servidores protestaram contra a insegurança

Servidores dos Correios fizeram uma manifestação, na manhã do último domingo, na Orla da Atalaia com o objetivo de chamar a atenção da sociedade para a quantidade de assaltos ocorridos nas agências. Conforme o Sindicato dos Trabalhadores na Empresa Brasileira de Correios, Telégrafos e Similares do Estado de Sergipe (SINTECT/SE), só este ano já ocorreram 24 assaltos. Em 2009, foram 39 e em 2008 cerca de 27 assaltos. Além disso, nos últimos cinco anos, três pessoas morreram durante os assaltos em agências dos Correios.
Durante a manifestação, o Sindicato começou a fazer um abaixo-assinado, que ainda esta semana será levado ao Ministério Público Estadual, para que os promotores de Justiça possam pedir à empresa que invista em equipamentos de segurança. “Existe um processo no Ministério Público desde 2005, que exigiu que fossem retirados das agências os policiais militares. Foi dado um prazo de um ano, mas a determinação foi cumprida depois de dois anos. A partir daí, as agências não tiveram mais segurança”, reclamou José Ailton Santos, um dos diretores do Sintect/SE.
Mas conforme o assessor de comunicação dos Correios em Sergipe, Ginaldo de Jesus, em todas as agências existem vigilantes particulares, inclusive armados, além de alarme e circuito interno de televisão. Ele explicou ainda que hoje começará um novo treinamento de qualificação dos vigilantes e que existe um estudo, tramitando em Brasília, para melhorar a segurança de todas as agências dos Correios espalhadas pelo país. “Ainda não sabemos quais serão as propostas, mas estamos aguardando a conclusão desse estudo”, garantiu Ginaldo.
De acordo com o Sintect/SE, o sistema interno de TV utilizado atualmente não capta as imagens com nitidez, o que prejudica a identificação dos assaltantes. “Outros equipamentos de segurança devem ser instalados, como portas giratórias e detectores de metais”, opinou José Ailton. Ele disse que em outros Estados vem acontecendo investimentos nesse sentido. “No Paraná, por força de uma decisão judicial, a empresa teve que instalar os equipamentos de imediato. No Mato Grosso, a diretoria regional instalou com recursos próprios. Então, cai por terra a informação passada pela nossa diretoria, que não há orçamento”, enfatizou.

Morte

No dia 22 de junho deste ano, Flávio Santos Oliveira Matos, de 29 anos, escrivão da Polícia Civil sergipana, foi morto, na porta da agência dos Correios da cidade de Frei Paulo, ao tentar evitar um assalto. No mesmo dia, em Aracaju, outro assalto foi registrado, dessa vez em uma agência localizada na Avenida Augusto Maynard. Dois adolescentes, munidos com armas de fogo, entraram na loja perguntando a atendente se eles faziam Cadastro de Pessoa Física (CPF). Como a agência estava muito cheia, voltaram minutos depois e levaram R$ 100, além de um aparelho celular de um funcionário.

FONTE: http://www.jornaldacidade.net/2008/noticia.php?id=71264

domingo, 18 de julho de 2010

Funcionários dos Correios protestam contra a falta de segurança nas agências

Os funcionários dos Correios de Sergipe estarão reunidos neste domingo (18), na Orla de Atalaia, realizando uma manifestação contra a insegurança que a classe vem sofrendo e contra as mortes e sequelas provocadas pelos assaltos às agências dos Correios em todo o Estado.
Organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Empresa Brasileira de Correios, Telégrafos e Similares do Estado de Sergipe (SINTECT/SE), a passeata terá concentração nos Arcos da Orla, a partir das 08h30, e espera reunir mais de 500 pessoas, dentre funcionários e familiares.
De acordo com o presidente do SINTECT/SE, Orlando Sérgio Lima, o número de assaltos às agências dos Correios em Sergipe vem crescendo a cada ano. Só em 2010, já foram contabilizados 24 assaltos, dentre eles o ocorrido no município de Frei Paulo, incidente que ceifou a vida de um policial civil, além do seqüestro relâmpago do gerente da agência do município. "Os funcionários dos Correios vivem com medo dos assaltos, não temos segurança nenhuma.A população sabe do que eu estou falando, porque elas também se sentem assim dentro das agências dos correios", afirmou Sérgio Lima.
Para o Secretário de Política e Formação Sindical do SINTECT/SE, José Ailton dos Santos, os casos são bem mais graves do que se possa imaginar. "Muitos funcionários já foram afastados provisoriamente do trabalho, em virtude do estado de choque provocado pelo trauma dos assaltos. Muitos não conseguem retornar ao posto de trabalho, provocando a aposentadoria precoce deste trabalhador", acrescentou Ailton.
Para conquistar mais segurança e melhores condições de trabalho, o Ato reivindica que a empresa Correios preste mais segurança às agências, através da contratação de seguranças armados, e da instalação de portas-giratórias, detector de metas, circuito interno de câmeras e todo o aparato necessário para fazer a segurança de uma agência bancária comum. "Nossa reivindicação é legítima. Além da violência que os funcionários dos Correios estão suscetíveis a sofrer, nós ainda recebemos o reflexo da indignação da população quando ela também é alvo desses abusos", alegou Sérgio.

FONTE:http://www.atalaiaagora.com.br/conteudo.php?c=14693&sb=1

terça-feira, 13 de julho de 2010

PARTIDÁRIOS DE QUEM...

Caro Alexandre,

Permita-me insistir no debate, primeiramente, gostaria que falasse um pouco mais sobre o que você acreditar e entende por Democracia Liberal, pois, quero não acreditar que esse troço, que envolve palavras tão antagônicas como Democracia e Liberalismo, seja simplesmente, “cada qual vota em quem quiser de acordo com seus princípios e inteligência e sem ter que dar satisfação a ninguém”. Sinceramente, pensar que num país onde 54 milhões de pessoas – não posso, nem chamar de cidadão – vivem abaixo da linha da pobreza, miséria total, sem falar que estou me referindo a quase um terço da população brasileira, e, daí a pensar que esses se encontram em condições de discernir qual candidato é melhor para o país, talvez, o amigo desconheça o mundo da semiótica dos discursos publicitários, da informação e contra informação.
Eu pergunto a você, o que leva tantos homens – e, recentemente, vem crescendo o número de mulheres - a consumirem tanta cerveja e cigarro? Permita-me mais uma vez viajar pelo mundo fascinante da especulação – de fato, não dar para saber como seria um governo Nazista pós 2ª Guerra, afinal, não foi esse o resultado, mas pelas características, ideologia, e pelos anos do governo de Hitler dar para imaginar como... ou melhor, não é bom nem imaginar – porque será que existem campanhas publicitárias de cerveja e, costumeiramente, sempre associadas a imagem da mulher como elemento central? Será pelo elemento da sedução? Se as pessoas bebem cerveja, porque é fruto de uma escolha individual e que "não tem que dar satisfação a ninguém", porque será que as cervejarias e a indústria do cigarro investem – é assim que consideram, como um investimento - tanto em publicidade.
Caro Alexandre, desde nossas falas, nesse simples dialogar, até os discursos políticos partidários, todos estão carregados de intenções e significados, que às vezes os ignoramos e reproduzimos inconscientemente. Daí, pensar que precisamos investigar melhor os fenômenos que envolvem os Discursos, para que possamos extrair as idéias claras e as que se apresentam de forma implícita, ou subentendida.
Então, não podemos ser ingênuos ao ponto de achar, que certos problemas não são resolvidos “porque, simplesmente, não há interesse em resolvê-los”, ora, interesses é o que não faltam, e são os mais variados possíveis, o problema é conciliar esses interesses e de quebra realizar o pretendido, pois tudo depende da correlação de forças em jogo no momento. Talvez, isso também está no mundo fascinante da especulação, o LULA até tenha interesse em fazer o projeto social defendido por seu governo, a questão é que a realização desse projeto entra em choque com os interesses das forças, que são condições sine qua non para a existência do governo do PT.
Por fim, no tocante a questão do sucesso administrativo do grupo do sindicato da nossa categoria, segundo sua opinião, é fruto dos dirigentes se manterem apartidários e livres, abro um parêntese, apartidários nunca fomos, apenas, não éramos, nem somos filiados a nenhum partido político, já, quanto ao fato de sermos livres – liberdade é uma coisa, que se a possuímos corremos risco e, se não a temos, estamos na mesma situação – penso que seja o ponto fundamental e que se traduz em não subordinar os interesses da categoria em detrimento do partido, ou pessoa. Contudo, não posso deixar de reconhecer que nossa luta, a partir do momento em que ignorarmos os políticos, os partidos, ou as siglas, será limitada, porque todas as questões se resumem a política, como bem disse Aristóteles, todo homem é por natureza um animal político, Zoon Politikon. O fato fundamental para expandir os horizontes da nossa categoria, seria, com quem e em que condições, podemos estabelecer aproximações com políticos, ou com partidos políticos, talvez, se os trabalhadores dos Correios fossem mais politizados, difícil seriam nos manter “apartidários” e “livres” da política em qualquer esfera.

 
Um forte abraço,
José Ailton





domingo, 11 de julho de 2010

DILMA, SERRA E A CHARGE PROSTITUTA DO NANI.

Prezado Alexandre,


Poderia começar dizendo que não sou filiado ao PT, tão pouco, a outra sigla, contudo prefiro começar afirmando, que sou, inevitavelmente, partidário, e como tal, prefiro o Governo em exercício em lugar do governo anterior, ou mesmo, ao candidato atual do PSDB, logo, metaforicamente, prefiro pão com ovo no café da manhã a ficar em jejum.
Bem, vejamos, não discordo de você sobre o fato dessa discussão está relacionada a nossa luta – inclusive, sou defensor de que seja feito um trabalho sério de formação político-eleitoral com nossa categoria - porém, não vejo problema, quanto ao fato da prostituição passar a ser uma profissão, penso, que, no mínimo, vai garantir direitos sociais e previdenciários a um grande número de mulheres, ou melhor, “profissionais do sexo”, talvez, sua opinião reflita um conservadorismo classista, que vêem perpetuando injustiças sociais e que reforça um (pré)conceito em relação as mulheres, o que contribui por cristalizar o poder masculino na sociedade brasileira. Quanto, ao chargista [penso que o trabalho desses profissionais vão além do que, simplesmente, fazer as pessoas rirem, a ditadura que o diga] Nani não o conheço bem, logo, não fiz nenhum comentário a sua pessoa, esse foi direcionado ao uso que deram a caricatura feita por ele, que serviu como ensaio de um discurso pseudo-moralista.
Quanto a critica ao “programa” bolsa família, correto, na sua atual estrutura é um instrumento eleitoral, mas, convém lembrar que o próprio FHC se diz pai da criança, e, que o LULA, apenas, deu um banho e pôs roupas limpas. Sinceramente, não concordo com o modelo administrativo do Governo Federal em muitos pontos, inclusive, minha maior critica recai sobre a chamada governabilidade – qualquer semelhança com nosso estado é coisa do Polvo pop star – paciência, opção do governo, porém se pensarmos por outra óptica, possivelmente, se não fosse assim, o LULA estaria no governo ao final do segundo mandato? E se chegasse ao final do segundo governo sem os aliados, qual seria a avaliação dos seus dois mandatos?
Camarada Alexandre, você cita os favores prestados as elites pelo Governo Federal, se o governo fechasse as portas para essa classe ele não chegaria à condição de Presidente, é bom deixar claro, que não estou afirmando ser correta a escolha feita por ele, ou pelo partido, apenas, quero deixar claro que, talvez, esta seja a condição necessária para implantar alguns “programas” que se traduzam em ganhos efetivos para as classes menos favorecidas, a chegada do PAC, por exemplo, a região Nordeste representou um ganho que se traduz nas altas taxas de crescimento.

Vou citar um exemplo histórico, em 1954, o PCB criticava Getúlio de aliado dos americanos, de traidor, entre outros adjetivos e quando Getúlio morreu os trabalhadores queimaram a sede desse partido, logo, moral da história, as criticas não refletiam a opinião das massas sobre o governo, que por sinal soube com maestria conciliar interesses distintos, aliás, não sem razão, Getúlio foi o criador da CLT, da Petrobrás, da Companhia Siderúrgica Nacional, da Vale do Rio Doce e de conseguir de volta as reservas de ferro e manganês de Minas Gerais e da Estrada e Ferro Vitória-Minas, em poder dos ingleses. Portanto, Getúlio usou, assim como foi usado, os EUA para impulsionar a industrialização do país e, com isso, agradou aos oligarcas e aos trabalhadores, e com sua morte, a própria opinião pública percebeu que se tratava de um golpe contra o governo, por conseguinte, reservada as diferenças, vamos entender melhor o que o véu das críticas midiáticas, atuais, ao governo LULA e a candidatura de Dilma, escondem para não repetir o passado, como dizia o poeta Agenor de Miranda Araújo Neto, mais conhecido como Cazuza.

O governo do PT – como voce prefe chamar – tem engolido alguns sapos sem direito a copo d’água, concordo, todavia, minha avaliação hipotética pergunta a você, como estaria nossa categoria, se, ao invés de oito anos do governo LULA, estivessemos com mais oito anos de administração do PSDB à frente da Presidência da República, afinal, esqueces que foi no governo FHC que o projeto de privatização dos Correios foi enviado ao Congresso Nacional. Acredito, que se estivesssemos em um governo tucano estariamos assinando, a contragosto, um PVD [que também ocorre no final do governo LULA, mas seria ingenuidade achar que só porque o governo é do PT não precisamos nos mobilizar, a burguesia continua zelando por seus interesses], ou quem sabe uma rescissão contratual, ou ainda, migrando para outro regime trabalhista, como ocorreu com inumeros trabalhadores de estatais nos anos 90, a exemplo, VALE, TELEBRÁS, em sergipe, cito a Energipe, que tentar esconder o assalto aos sergipanos mudando o nome para ENERGISA, entre outros casos no país.

Portanto, a crise nos Correios é uma entre tantas crises vividas no país e no mundo e mais importante, nesse momento, que apontar os causadores é encontrar uma saída sem gerar muitos estragos na vida dos trabalhadores e da população, quanto as reclamações e a quem as escutam, isso tudo, são consequências e não as causas originarias, resolva a segunda e a primeira vem por tabela. Eu, particularmente, não vejo, num horizonte próximo, como resolver os problemas macros do nosso país – desigualdade em todos os sentidos, opressão, exploração humana, hierarquização social – e na nossa EBCT, fora do campo político, logo, independente de quem seja, PT, PSDB, PMDB, ou... precisamos aprender a fazer política para equilibrar a correlação de forças em choque no Brasil e em Sergipe, não podemos delegar esta tarefa a terceiros, afinal, a represa está rachada e não cabe delegar essa tarefa a terceiros, é preciso pericia para tamanha tarefa. E, vale lembrar, o PT tem o governo, não o poder, que são coisas bem diferentes, daí, talvez, sirva para explicar – não justifica – as alianças que garantem a governabilidade.

Para concluir, agradeço ao camarada Alexandre pela sinceridade e convicção com que expõe suas idéias, espero poder continuar debatendo essas questões e, por fim, tenho muito receio de que esteja enganado na minha avaliação, pois poderei estar prendendo peixinhos para os tubarões, por outro lado, não posso assistir alheio a morte dos meus. Afinal, tenho consciência que o governo é responsável, integralmente, por tudo que acontece na sua administração, porém, não é autor de tudo que ocorre, eis uma distinção sutil, e que me faz acreditar que, nesse momento, a continuidade é melhor que a mudança.


José Ailton Santos (Secretário de Política e Formação Sindical do SINTECT/SE).


quarta-feira, 7 de julho de 2010

O MOVIMENTO SINDICAL NOS ANOS 70 E 80 NO BRASIL.

Saudações Camaradas,

Em tempos de pasteurização intelectual e diante da inópia de Cursos de Formação para Dirigentes, Seminários, ou Fórum de Debates promovidos pela FENTECT, no intento de criar um espaço, onde os muitos dirigentes dos sindicatos filiados a esta entidade, pudessem discutir e debater temas pertinentes a classe trabalhadora nacional e mundial, os rumos do movimento sindical, as conseqüências dos últimos acontecimentos do mundo e seus reflexos na sociedade brasileira, claro que, traçando um paralelo com nossa categoria. Portanto, aproveito o oportuno momento de proximidade da Campanha Salarial deste ano, ou melhor, a iminência de mais uma batalha na constante luta contra a opressão e a desigualdade, em suas várias faces dentro da EBCT, para expor, em um enxuto, diminuto e quase informal texto, um pouco da história recente do movimento sindical brasileiro, abordando, particularmente, duas décadas de grande relevância para a sociedade brasileira.

As duas décadas em questão são 70 e 80, pois, na minha avaliação o movimento sindical brasileiro precisou de exatos, 20 anos, para sair da calmaria e emergir no cenário nacional com bastante força, refiro-me, especificamente, a 1968, quando ocorreram as primeiras greves em Contagem e Osasco até 1988 com a promulgação da Constituição Federal. Essa organização ocorreu, de fato, com tamanha rapidez, contudo mais importante que constatar esse fato é entender, quais fatores contribuíram para o sucesso do movimento sindical.

O primeiro fator ocorre muito antes dos anos citados, porém reflete, significativamente, nas décadas em questão, trata-se da herança da infra-estrutura administrativa presente nos sindicatos, proveniente dos anos 30 e implantada por Vargas e da calmaria que se abateu sobre as classes trabalhistas - devido às reformas trabalhistas desse governo, entre elas: a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, a criação da CLT, o Estatuto Padrão, entre outros – e da aceitação pela maioria dos sindicatos da política assistencialista do governo, que gastava enormes quantias em dinheiro para manter serviços médicos, odontológicos, laboratoriais, colônias de férias, etc.

Um segundo fator relevante foi a manutenção dessa estrutura sindical durante o Regime Militar, visto que, os militares não pretendiam extirpar o movimento sindical, mas, apenas, controlá-lo; pois a luta nesse momento era concentrada contra os estudantes, fato que possibilitou um acúmulo considerável de recursos, que no final dos anos 70 e durante toda década de 80 serviriam, justamente, com a estrutura que foi conservada do período Vargas, para patrocinar e organizar diversos encontros [João Monlevade, São Bernardo, Vitória, ENTOES] e greves das categorias trabalhistas envolvidas. Além desses aspectos, há a aproximação da Igreja Católica - ao menos das alas progressista, que eram envolvidas com os movimentos populares - com o movimento sindical, o que possibilitou a aproximação dos movimentos populares influenciados pela Igreja com os líderes sindicais chamados ‘autênticos’, ou ‘combativos’.

E por último, a cassação e exílio de inúmeras lideranças ligadas ao PCB e ao PTB, o que, por sua vez, possibilitou o surgimento de novas lideranças sem vínculos políticos com os comunistas, ou com a política de caráter Janguista, esses novos líderes estavam dispostas a ocupar, ou mesmo, construir um espaço na política e na economia do país, pois as lideranças tinham uma diferença essencial em relação aos antecessores, eram líderes envolvidos também com a luta social, isto é, eram trabalhadores, estudantes, partidários, mais também participavam das discussões na comunidade onde morava, eram líderes comunitários, faziam parte das associações de bairros. Logo, percebe-se que a luta era mais ampla e tinha como pano de fundo um projeto de sociedade, ou melhor, de democracia.

Todavia, o período necessário para organizar o movimento sindical é o mesmo que vê surgir várias correntes e tendências políticas, como a Unidade Sindical (US), que seguia orientação do PCB, PC do B e MR-8, os Sindicalista ‘combativo’, ou ‘autênticos’, ou ‘independentes’ que não tinham ligações partidárias e ficaram conhecidos pelo conflito direto com o Ministério do Trabalho, as Oposições Sindicais (OS), essa se caracterizava pela oposição que exercia aos dirigentes dos sindicatos considerados, a época, como acomodados, ou pelegos, ou se melhor preferir, governistas – qualquer semelhança com os dias atuais é mera casualidade – sua composição era bastante heterogênea, possuíam facções ‘obreiristas’ muito radical e até grupos da Igreja Católica envolvidos com as pastorais, e, por último, a Extrema Esquerda, que envolvia, desde pequenos partidos de cunho ideológico leninista até militantes de tendências mais extremas, que não faziam parte de nenhum partido político e possuíam idéias de construir um movimento sindical mais revolucionário.

Essas tendências e correntes político-ideológica irão formar as diversas centrais sindicais – CUT, CGT’s, USI – que surgem nos anos 80, apesar de algumas representarem mais siglas do que, verdadeiramente, entidades de luta e mobilização. A CUT, entre as centrais apresentadas, representa a Central mais duradoura e que, apesar de haver pessoas contrárias, teve maior capacidade de mobilização da história recente do país, não estou afirmando que continua sendo, afinal, minha análise recai, especificamente, sobre os anos 70 e 80, talvez, em outro momento, falaremos sobre os anos 90 e a primeira década do século XXI, no entanto, essas diferentes tendências protagonizaram um intenso debate ideológico, travado no interior do sindicalismo brasileiro, que decidiu os rumos do movimento sindical do país e sua posterior fragmentação, agravada ainda mais no final dos anos 80 com o surgimento de outras categorias profissionais de classe média universitária, a exemplo, professores, médicos, jornalistas, sem esquecer o funcionalismo público – os Correios, por exemplo – impedidos de formar sindicato antes de 88 e organizados em associações, que fazia pouco ou quase nada, em termos efetivos.

Concluo afirmando, que o movimento sindical dos anos 70 e 80, contribuíram e muito no desenho social e político da sociedade brasileira, porém, ainda precisa ser melhor estudado e debatido pelos trabalhadores, estudante, pesquisadores e, principalmente, pelos dirigentes responsáveis por conduzir o movimento sindical nesse inicio de século para, quem sabe, entender melhor onde erramos e acertamos,onde poderíamos ter feito mais e onde deixamos de avançar, afinal, os desafios atuais são complexos e precisamos estar atentos, quanto a seu funcionamento. Arisco-me a dizer, e, talvez, seja um pensamento precipitado, mais acredito que o movimento sindical brasileiro não soube tirar proveito do poder político e econômico que exerceu nos anos 70 e 80, quando não foi capaz de alterar a estrutura sindical, que subordina os sindicatos a tutela dos poderes do Estado – Executivo, Legislativo e Judiciário – afinal, até hoje, precisamos recorrer ao Ministério do Trabalho para adquirir reconhecimento, bem como a Justiça do Trabalho para resolver questões trabalhistas. Torço para que esteja criticando um processo histórico, que se encontra em fase de transição, e caso essa seja a leitura mais acertada, teremos que esperar para descobrir, pois só o tempo dirá, mas, enquanto esse processo não chega a sua fase de maturidade, penso ser de vital importância debater e construir novas idéias e quem sabe, novas ideologias, se é que estas existem.



José Ailton Santos

(Secretário de Política e Formação Sindical do SINTECT/SE)

quarta-feira, 24 de março de 2010

Direção dos Correios resistia a socorrer fundo de pensão.

Estatal, que estimava rombo em R$ 630 mi, foi pressionada por autarquia do setor

Sem recursos para honrar aposentadorias, Postalis atribui rombo a mecanismo em que assume despesa futura com os benefícios


LEILA COIMBRA
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A estatal dos Correios terá que assumir rombo de R$ 1,43 bilhão do seu fundo de pensão, o Postalis. A determinação partiu da autarquia Previc (antiga Secretaria de Previdência Complementar), depois que houve resistência da cúpula da estatal em reconhecer a dívida.
Documentos obtidos pela Folha mostram que o secretário de Previdência Complementar, Ricardo Pena, responsável pela fiscalização dos fundos de pensão, ordenou que os Correios saldassem o déficit, sob pena de execução judicial do Postalis.
A diretoria dos Correios sabia que o fundo estava com déficit atuarial (sem recursos suficientes para honrar todas as aposentadorias no futuro). Mas estimava que o buraco era de R$ 630 milhões, e não um valor 120% maior, o que causou desconforto nos dirigentes da estatal. Ligado ao PT, o presidente dos Correios, Carlos Henrique Custódio, reprovou o plano de socorro em reunião do conselho de administração em 2009 e questionou os cálculos.
A estatal terá que fazer o aporte sozinha no Postalis, sem a participação dos associados, porque o déficit é referente a contribuições feitas antes do ano 2000, quando ainda não vigorava a regra da paridade (em que empresa e contribuintes colocam dinheiro no fundo na mesma proporção).
A conta que apontou uma necessidade de aporte adicional de R$ 800 milhões foi feita por três consultorias. A primeira delas foi a Stea-Serviços Técnicos de Estatística e Atuária. Uma segunda opinião foi da Globalprev, empresa fundada pelo ex-ministro Luiz Gushiken, que a entregou a ex-sócios para assumir o cargo no primeiro mandato de Lula.
O Postalis solicitou depois uma terceira opinião da empresa Rodarte, que confirmou o valor com uma pequena diferença de R$ 15 milhões a menos. Mas a diretoria dos Correios questiona os cálculos.
A contratação dessa terceira empresa, com sede em Minas Gerais, gerou dúvidas junto à diretoria dos Correios porque a sua escolha foi feita pelo Postalis. Na prática, o fundo pôde escolher quem iria fiscalizá-lo.
O conselho de administração dos Correios tem até abril para tomar uma decisão, quando se reúne para fechar o balanço contábil de 2009.
Se os Correios cobrirem o buraco, terão uma queda vertiginosa nos lucros referentes ao ano passado. Caso provisionem o débito, terão ganhos de apenas R$ 50 milhões. Se reconhecerem a dívida e receberem benefícios referentes ao Imposto de Renda, lucrarão cerca de R$ 460 milhões. O valor é inferior ao registrado no ano anterior (2008), quando os Correios lucraram R$ 800 milhões.
Apesar de o déficit ter sido reconhecido "com condicionantes" pelos Correios ante a Previc, somente quando for assinado o termo de confissão de dívida é que existirá de fato o compromisso de pagamento.
O buraco, de R$ 1,43 bilhão, equivale a quase um terço do patrimônio do Postalis, de cerca de R$ 5 bilhões. O valor é para ser pago em 18 anos, corrigido pelo INPC em mais 6%. O recolhimento não precisa ser feito de uma só vez, pois os trabalhadores irão se aposentar no decorrer do período -mas as regras contábeis determinam que o valor deve ser abatido de uma vez só no balanço.
O rombo no Postalis contrasta com o caso da Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, que teve uma sobra de caixa em 2009 e permitiu que o banco, seu patrocinador, "apropriasse-se" de R$ 3 bilhões do superávit. Isso inflou o lucro do BB em 2009, que encerrou com recorde de R$ 10,15 bilhões.
A Previc disse, por meio de sua assessoria, que não pressionou os Correios a saldar o débito com o Postalis, mas apenas lembrou as responsabilidades legais de cada parte.


Texto Anterior: Mercado Aberto
Próximo Texto: Grupo ligado a Sarney controla o Postalis
Índice